Trio baiano reedita Mad Dogs no RJ

Por Fabrício Fernandes*

Sempre que vejo no mapa que um bom swell vai chegar, uma semana antes já fico na ansiedade. E principalmente se este vai ser no fim de semana, ou vai durar até ele.

Final de julho a previsão era de 2,8mt na boia com 16 seg de período e 4km/h de vento Norte no sábado.

Até a quarta-feira o mar estava minúsculo, mas na quinta, ondas de 1,5mt fizeram a felicidade de quem tinha tempo. Apenas vi as fotos que o meu amigo, também baiano Davi Neves, o Amendoim, me mandou. Vi alguma ondas que havia surfado, sendo clicado pelo excelente fotógrafo Daniel Azevedo.

Sexta-feira, Davi, sozinho, na atitude, entrou no posto 11 e dropou algumas bombas, que já passavam dos 2mts. Daniel estava lá para clicar de novo!

Sábado era o auge do swell, 2,5mt fácil!!!!

Acordei cedo, peguei a 6.6, coloquei as quilhas G7, a cordinha 9 pés e fui encontrar com Ângelo Hereda e Davi Neves.

Fomos checar a Macumba na esperança de encontrar as direitas no Rico lembrando Sunset. Mas para nossa surpresa o swell estava balançado naquele Pico.

Combinamos de ir para o posto 11 do Recreio. Enquanto Ângelo pegava a prancha e a roupa de borracha, coloquei a Billion Miles away do Off Spring, a todo volume no meu Ipod fazendo uma mentalização para o surf, me desconectando de tudo mais.

Chegamos no 11 e o mar tinha proporções havaianas. Ondas que chegavam a mais de 5mts, de face, na série. Elas vinham muito lá atrás e estouravam na beira com uma força incrível. E ainda tinha um back wash para dificultar a situação. Impossível varar por ali. Fomos para o lambe-lambe, canto do Recreio, onde tem um canal e depois remamos para o pico. Eu de 6.6, que achei pequena para o swell. Davi de 8.2 e Ângelo, numa atitude inacreditável, de 5.8!!!

Sinceramente, quando vi o tamanho das ondas, fiquei com vontade de ter uma prancha do tamanho daquela de Davi, e não acreditei nem um pouco que Ângelo fosse se dar bem. Mas ai vem a questão talento, o que ele tem de sobra! Dropou umas bombas, lembrando Kelly, que enquanto todos estavam de gunzeira ele usava a hot dog, mostrando o seu diferencial absurdo.

Uma esquerda, cascuda, de mais de 2mts, ele remou forte, encaixou no trilho e o lip vinha rodando, sem exagero, semelhante a Pipeline! Alan Gandra, outro fotógrafo casca Grossa, registrou o momento mágico!

Davi, com sua 8.2, vinha lá de trás dropando as bombas, mostrando que realmente tem atitude e vem crescendo muito no surf de ondas grandes. Falta apenas alguém acreditar no talento dele e bancar as viagens, que o retorno é garantido.

Vale destacar a atitude de Vitor Ferreira e mais uns dois amigos, garotos, com menos de 18 anos, que se atiravam nas bombas, de forma confortável.

Nem de longe estou no nível desses caras, em talento. Não consigo surfar na semana, nem nunca fiz uma viagem internacional, mas quando vou dropar em um mar grande, vou com o osso na boca e sangue nos olhos.

Dropei algumas bombas e, para minha sorte, além de Alan Gandra, estavam na areia os fotógrafos Daniel Azevedo e Luciano Cabal que registraram duas ondas minhas.

Saímos muito felizes com o resultado de mais um big surf. E eu com a grande satisfação de fazer parte do trio baiano, que me instiga a superar meu limites. Valeu Ângelo, valeu Davi, já tem novo swell chegando e a Bahia estará na água!

Veja galeria de imagens abaixo:

(*Fabrício Fernandes é ilheense, praticante de esportes de aventura há 30 anos, administrador de empresas e professor de Marketing. É colunista nos sites Surfbahia e Ricosurf, além de colaborador dos sites Almasurf, Surfar, Opensurf e Climasurf)

(Fotos: Alan Gandra, Daniel Azevedo e Luciano Cabal)

 

 

No Comments

Leave a reply

Pesquisa